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Setor de bares e restaurantes foi o que mais abriu empresas no ano passado

No ano marcado pelo avanço da crise econômica, o segmento de restaurantes, serviços de alimentação e bebidas foi o que mais ganhou novas empresas em Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Jucems (Junta Comercial do Estado), foram 268 novas empresas do ramo constituídas contra 143 fechadas, o que resulta em saldo de 99 unidades.

 

Comércio varejista de produtos alimentícios em geral obteve maior saldo positivo de abertura de novas empresas em 2016, com 167 inauguradas e apenas 53 encerradas, o que resulta em um acréscimo de 114 lojas em relação às que já estavam instaladas em 2015.

 

O técnico do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em Campo Grande Gilmar Rosseto explica que os dados levam em conta as empresas formalmente constituídas, de forma que a realidade pode render números ainda maiores.

 

A lógica por trás do número de bares e restaurantes abertos mesmo durante a recessão é explicada por ele sob dois fatores. Primeiro, mesmo com dificuldades econômicas, as famílias não deixam de se alimentar. Em segundo lugar a natureza da atividade conduz ao surgimento de novos estabelecimentos em tempos difíceis.

 

“Muitas pessoas perdem o emprego [durante a crise] e sem a possibilidade de realocação do mercado de trabalho ela tem que fazer alguma coisa e quais os três setores mais procurados por quem quer abrir uma micro e pequena empresa: alimentação, moda e beleza. Ou ela vai montar um salão, ou ela vai vender roupas ou ela vai trabalhar com atividade ou lanchonete”, explica Rosseto.

 

Segundo ele, são geralmente pessoas que sabem preparar algum tipo de prato ou tem alguma especialidade e receita de família e a colocam em prática como forma de ganhar dinheiro, seja para superar a saída do mercado, seja para complementar a renda. “Às vezes monta até um carrinho de cachorro-quente e na hora de formalizar entra como MEI (Micro Empreendedor Indivual) e nos dados aparece no ramo de restaurantes e bares”.

 

Técnico do Sebrae explica que ramo de restaurantes é opção barata para quem deseja sair da crise (Foto: Marcos Ermínio)

 

Conforme o técnico, no entanto, o índice de fechamento desse tipo de empresa mostra a dependência do poder de compra dos consumidores, que muitas vezes, embora não deixem de comer durante a crise, o fazem em casa.

 

“Muitas vezes o cliente diminui a questão de comer fora, mas ele ainda continua. Uma pesquisa do setor de inteligência do Sebrae mostra que no começo de 2016 teve uma queda de 17% na alimentação fora do lar e uma retomada no fim do ano de 2,5%. O tombo é menor que a retomada, mas tem algumas empresas que se fixaram no mercado”, diz.

 

Ainda assim, os dados da Jucems mostram que embora diretamente influenciado pela recessão, o setor de alimentação ainda é atrativo.

 



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