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Juro do cartão segue acima de 400% ao ano e do cheque é maior desde 95

Redação

Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cheque especial atingiram, em outubro, o maior patamar em mais de 20 anos. Ao mesmo tempo, a taxa média cobrada no cartão de crédito rotativo registrou pequena queda mas, mesmo assim, continuou acima da marca de 400% ao ano, segundo números divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (27).

 

No caso do cheque especial, os juros ficaram em 278% ao ano no mês passado. A taxa representa um aumento de 14,4 pontos percentuais em relação ao patamar do mês anterior, quando estavam em 263% ao ano. É o maior patamar desde junho de 1995, quando estavam em 283% ao ano, de acordo o BC.

 

Os juros cobrados pelos bancos nesta linha de crédito tiveram forte aumento nos últimos meses. No fim de 2013, estavam em 148,1% ao ano. O crescimento, portanto, foi de 130 pontos percentuais nos últimos 19 meses. Somente neste ano, a alta foi de 77,1 pontos percentuais.

 

Cartão de crédito

Já os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo – a modalidade mais cara do mercado – registraram queda em outubro, quando ficaram em 406% ao ano, contra 414% ao ano em setembro. Mesmo com a queda, continuam acima da marca de 400% ao ano. O BC tem recomendado que os clientes bancários evitem essa linha de crédito.

 

Junto com o cheque especial, os juros do cartão de crédito rotativo são os mais caros do mercado. A recomendação de economistas é que os clientes bancários paguem toda a sua fatura do cartão no vencimento, não deixando saldo devedor, e que evitem também usar o cheque especial.

 

Alta dos juros básicos da economia

O aumento dos juros bancários acompanha a alta da taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central a cada 45 dias para tentar conter as pressões inflacionárias.

 

A taxa subiu entre outubro do ano passado e setembro deste ano – avançando de 11% para 14,25% ao ano, uma alta de 3,25 pontos percentuais. Os números mostram que os bancos elevaram suas taxas de juros ao consumidor de maneira mais intensa.

 

Reportagem publicada recentemente pelo jornal norte-americano “The New York Times” diz que os juros praticados em algumas linhas de crédito no Brasil “fariam um agiota americano sentir vergonha”, citando os dos cartões de crédito.

 

Segundo um levantamento feito pela consultoria Economatica para a BBC Brasil, apesar da desaceleração econômica, a rentabilidade sobre patrimônio dos grandes bancos de capital aberto no Brasil foi de 18,23% em 2014 – mais do que o dobro da rentabilidade dos bancos americanos (7,68%).

 

Consignado, crédito pessoal e veículos

No caso das operações de crédito pessoal para pessoas físicas (sem contar o consignado), de acordo com o Banco Central, a taxa média cobrada pelos bancos somou 129,1% ao ano em outubro, contra 118,2% ao ano em setembro. Nesse caso, houve uma alta de 10,9 pontos percentuais.

 

Ainda segundo o BC, a taxa média de juros cobrada pelas instituições financeiras nas operações do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) somou 28,1% ao ano em outubro – o que representa um aumento de 0,5 ponto percentual em relação a setembro (27,6% ao ano).

 

Segundo o BC, a taxa média de juros para aquisição de veículos por pessoas físicas, por sua vez, somou 25,9% ao ano em outubro, contra 25,6% ao ano em setembro deste ano. Neste caso, houve um aumento de 0,3 ponto percentual no mês passado.

G1

 



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