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Governo reduz de 1% para 0,5% projeção de alta do PIB em 2017

Por Alexandro Martello, G1, Brasília

 

O governo baixou de 1% para 0,5% sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, anunciou nesta quarta-feira (22) o Ministério da Fazenda. A nova previsão está em linha com a do mercado financeiro.

Apesar da redução, o governo manteve a projeção de que a economia brasileira deve crescer em 2017, após dois anos seguidos de recessão. No ano passado, o PIB brasileiro encolheu 3,6% em relação a 2015.

De acordo com o Ministério da Fazenda, o PIB deverá registrar crescimento de 0,49% no primeiro trimestre de 2017; no segundo, alta de 0,68%; no terceiro, aumento de 0,73% e, no quarto trimestre deste ano, alta de 0,79%. O resultado é sempre em relação ao trimestre anterior.

Nesta comparação, o crescimento do PIB no quarto trimestre de 2017 será de 2,7% em relação ao mesmo período de 2016, segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

O secretário de Política Econômica, Fabio Kanczuk, avaliou que, no quarto trimestre de 2016, o resultado do PIB foi ruim porque as empresas usaram seus recursos para reduzir o endividamento. E "ao pagar dívida, consumiram ou investiram menos". Ele apontou que as famílias também reduziram o consumo.

Para Kanczuk, porém, os números mostram que a recessão "ficou para trás e que o futuro será melhor, sugerem que o crescimento será maior nos trimestres deste ano".

Segundo ele, o cenário base para 2018 é de uma alta de 2,5% no PIB. Entretanto, conforme análise do ministro Meirelles nesta terça-feira, as probabilidades estão indo para uma expansão econômica acima de 3% no ano que vem – na comparação com 2017.

"Tenho uma convicção bastante grande que o Brasil virou a curva e começou a crescer no primeiro trimestre [de 2017]", disse Kanczuk.

Corte no orçamento

Com a confirmação da nova previsão de crescimento do PIB, medidas terão que ser adotadas para o cumprimento da meta fiscal. Uma delas será um corte nos gastos previstos no orçamento deste ano e que vai ser anunciado ainda nesta quarta. Outra pode ser o aumento de impostos.

Isso é necessário porque o orçamento de 2017 foi feito com base em uma alta de 1,6% do PIB em 2017. Com o crescimento mais tímido, a arrecadação do governo com impostos e tributos também deve ser menor.

Com a arrecadação mais baixa, fica mais difícil para o governo conseguir cumprir a meta fiscal fixada para este ano, que é de déficit (despesas maiores do que receitas) de até R$ 139 bilhões. Essa conta não inclui os gastos com o pagamento de juros da dívida pública.

Na terça, interlocutores do governo ouvidos pelo G1 avaliaram que o bloqueio poderia ficar entre R$ 40 bilhões e R$ 65 bilhões. Entretanto, há informações divulgadas na imprensa dando conta de que esse valor pode ser menor.

O secretário de Política Econômica avaliou que também haverá impacto da liberação das contas inativas do FGTS no crescimento deste ano. Segundo ele, a liberação dos recursos é "essencial" para a expansão da economia, mas, mesmo sem essa injeção, o país voltaria a crescer em 2017.

Ele estimou que metade dos recursos liberados, que vão de R$ 35 bilhões a R$ 40 bilhões, devem ser gastos pela população em consumo.

Também contribuem para o retorno do crescimento, em 2017, o bom desempenho da agricultura e a volta da confiança das empresas e da população na melhora das contas públicas, acrescentou Kanczuk.

Alta de tributos

Na terça (21), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que não está afastada a possibilidade de ser anunciado aumento de tributos para elevar a arrecadação do governo, o que também ajudaria no esforço para cumprir a meta fiscal.

"Será uma combinação possível: o que é de corte, agora e, se necessário, de aumento de imposto", afirmou o ministro da Fazenda.

Previsão para 2018

Para o próximo ano, o Ministério da Fazenda estimou um crescimento do PIB da ordem de 2,5%. O valor também está de acordo com as estimativas do mercado financeiro, mas está abaixo do que previu, nesta terça-feira, o titular da pasta, Henrique Meirelles.

Em evento em Brasília, o ministro da Fazenda afirmou que o PIB brasileiro poderá crescer mais de 3% no ano que vem.

Comportamento da inflação

O Ministério da Fazenda também informou que o governo baixou de 4,7% para 4,3% a sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, neste ano.

Com isso, a estimativa oficial do governo para o comportamento da inflação em 2017 passou a ficar abaixo da meta central para este ano, que é de 4,5%. O valor também permaneceu abaixo do teto de 6% fixado pelo sistema de metas de inflação.

Para a inflação de 2018, o Ministério da Fazenda estimou que o IPCA somará 4,5% – exatamente no centro da meta de inflação do ano que vem.

 

 

 



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