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Com início do ciclo de baixa do juro, é hora de começar a rever apostas

O corte da taxa básica de juros pelo Banco Central na semana passada, para 14% ao ano, marca o início de um processo que deve se alongar pelos próximos dois anos. Algumas instituições do mercado financeiro já preveem que a Selic pode caminhar para a faixa de um dígito ao fim de 2018, a 9,75% ao ano, cenário que tira parte do conforto da renda fixa, que alia boa rentabilidade e baixo risco, e exige novas estratégias.

 

"Se o investidor quiser assegurar a mesma rentabilidade de agora, vai precisar se arriscar mais", diz o sócio-gestor do home broker Modalmais, Rodrigo Puga.

 

Isso não significa que a renda fixa vai deixar de ser vantajosa, mesmo porque o Brasil deve continuar no topo do ranking de juros reais do mundo - mas a rentabilidade será menor.""Todo ciclo de baixa da Selic abre espaço para uma gama maior de investimentos", afirma Jason Vieira, economista da gestora Infinity.

A consultora de investimentos da Órama, Sandra Blanco, indica uma calibragem gradual das aplicações. "Quem estiver com uma carteira conservadora, com tudo em renda fixa pós-fixada, deve rever as opções".

 

Para assegurar taxas mais altas agora, os analistas recomendam títulos prefixados, ou seja, aqueles que já estão com a remuneração definida no momento da aplicação. Segundo Puga, ainda em 2016 deve ocorrer uma migração de investimentos pós-fixados para prefixados.

 

O investidor deve ficar atento, no entanto, ao prazo de resgate. Ronaldo Patah, estrategista de investimento do UBS Wealth Management, alerta que o prefixado é indicado para quem não precisará do dinheiro no curto prazo. "Recomendamos prefixados com prazo superior a dois anos, como os com vencimento em 2019 ou 2021, ou até 2025 para quem tem um perfil mais arrojado", diz.

 

Para quem pretende resgatar o dinheiro em um prazo mais curto, os analistas indicam fundos multimercados, que diversificam os investimentos em Bolsa, câmbio e renda fixa.

 

Por ora, o brasileiro ainda está concentrado nas aplicações mais conservadoras. De janeiro a setembro, os fundos de renda fixa têm captação de R$ 31,2 bilhões, ante R$ 9,8 bilhões em 2015. No mesmo período, os fundos de ações estancaram parte da saída de recursos, de R$ 14,5 bilhões para R$ 3,9 bilhões. Já os multimercados, que estavam com captação negativa de R$ 19,9 bilhões, têm saldo positivo de R$ 10,4 bilhões.

 

O problema em concentrar as fichas nos fundos de renda fixa é o alto custo. Felipe Sotto-Maior, CEO da startup de investimento Vérios, alerta que 73% dos fundos mais procurados pelas pessoas fazem aplicações em títulos públicos indexados à Selic e cobram taxas que podem chegar a 4%. "Se deixar 10 anos parado no Tesouro, o aplicador vai ter R$ 142 mil contra R$ 100 mil nos fundos."

 

A necessidade de revisar as apostas não deve ser tomada com pressa, diz Puga, do Modalmais: "Assim como o BC está cauteloso e quer mais dados para poder reduzir a taxa de juros, o investidor também deve ter isso no radar antes de se posicionar em um prazo mais longo".

 

O Bank of America Merril Lynch afirma que a queda do juro é um novo gatilho de alta do Ibovespa, que já subiu quase 50% no ano. Relatório do banco mostra que, em períodos anteriores de redução da Selic, a Bolsa subiu 27% em média, ante um retorno de apenas 2% durante ciclos de alta do juro.

Um dos motivos para isso, segundo a instituição, é que cerca de 20% da dívida das empresas que estão no Ibovespa está indexada à Selic. Por isso, com o corte dos juros, as ações tendem a subir.

 

O estrategista do UBS recomenda ações de setores que foram mais prejudicados nos últimos cinco anos, como as estatais e serviços públicos (energia elétrica e concessionárias de rodovias).

 

Fonte: OEstadão

 

 

 



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